Resumo em 30 segundos
- O código de conduta reúne, em linguagem simples, as regras de comportamento esperadas de todas as pessoas que trabalham na empresa ou se relacionam com ela.
- Ele é a base do programa de integridade e precisa indicar o canal oficial para dúvidas e relatos.
- Um bom código é curto, tem exemplos do dia a dia, é aprovado pela liderança e revisado pelo menos uma vez por ano.
Quando uma empresa tem poucos colaboradores, as regras de convivência costumam ser passadas na conversa, pelo exemplo dos sócios. Com o crescimento, isso deixa de funcionar: entram pessoas novas, surgem lideranças intermediárias, filiais e terceirizados, e cada um passa a interpretar do seu jeito o que é aceitável. O código de conduta existe para resolver esse problema, colocando por escrito o que a empresa espera de todos.
O que é um código de conduta
O código de conduta é o documento que traduz os valores da empresa em regras práticas de comportamento. Ele vale para sócios, gestores, colaboradores, estagiários e, em muitos casos, também para terceiros e fornecedores.
Diferente de um regulamento interno, que trata de horários, uniformes e rotinas, o código de conduta trata de ética e integridade: como as pessoas se relacionam entre si, com clientes, com fornecedores e com o poder público, e o que fazer diante de uma situação duvidosa.
Para que serve o código de conduta
Na prática, o código cumpre quatro funções ao mesmo tempo:
- Orientar: responde a dúvidas do dia a dia, como aceitar um presente de fornecedor ou contratar um parente.
- Prevenir: regras conhecidas reduzem a chance de condutas inadequadas e ajudam a liderança a agir de forma consistente.
- Proteger: quando divulgado e acompanhado de treinamento, o código é evidência de que a empresa adotou medidas de prevenção, o que pesa em fiscalizações, auditorias e processos trabalhistas.
- Sustentar o programa: serve de referência para os treinamentos, para o tratamento dos relatos e para as medidas disciplinares.
Ele também tem peso comercial. Grandes clientes, redes varejistas e indústrias costumam pedir o código de conduta nos questionários de cadastro e de due diligence de fornecedores, e a ausência do documento pode tirar a empresa de uma concorrência.
Código de ética e código de conduta: qual a diferença
Os dois nomes são usados como sinônimos em muitas empresas, e não há problema nisso. Quando aparecem separados, o código de ética costuma reunir os princípios e valores gerais da organização, como respeito, transparência e honestidade, enquanto o código de conduta detalha como esses princípios se aplicam a situações concretas.
Para uma pequena ou média empresa, o caminho mais prático é ter um único documento, chamado de código de ética e conduta, que comece pelos valores e siga para as regras do dia a dia. Assim, o colaborador tem uma única referência para consultar.
O código indica o caminho. O canal recebe as dúvidas e os relatos.
Conhecer o canal de integridadeO que um código de conduta deve conter
Os temas variam conforme o setor e os riscos de cada negócio, mas a estrutura abaixo cobre o que a maioria das empresas precisa:
| Bloco | O que tratar | Exemplo de regra |
|---|---|---|
| Valores e alcance | Para quem o código vale e quais princípios orientam a empresa | “Este código se aplica a sócios, colaboradores, estagiários e prestadores de serviço.” |
| Relações de trabalho | Respeito, diversidade, prevenção de discriminação, assédio e violência | “Não toleramos piadas, apelidos ou comentários que constranjam colegas.” |
| Relação com terceiros | Clientes, fornecedores, concorrentes e poder público | “Brindes acima do valor definido na política devem ser recusados e informados.” |
| Conflitos de interesse | Parentes, participação em outras empresas, uso do cargo | “A contratação de parentes deve ser comunicada à liderança antes da decisão.” |
| Informações e dados | Sigilo, uso de equipamentos, redes sociais, LGPD | “Dados de clientes só podem ser acessados por quem precisa deles para trabalhar.” |
| Canal e consequências | Como tirar dúvidas, como relatar, não retaliação e medidas disciplinares | “Quem relata de boa-fé não pode sofrer nenhum tipo de retaliação.” |
Para empresas obrigadas a ter CIPA, a Lei 14.457/2022 exige que as normas internas incluam regras de conduta sobre assédio sexual e outras formas de violência, com ampla divulgação aos empregados. O código de conduta é o lugar natural para essas regras.
Como criar o código de conduta em 7 passos
- Envolva a liderança desde o início. O código precisa ser assumido pelos sócios. Se a liderança não segue as regras, ninguém mais seguirá.
- Mapeie os riscos do negócio. Liste as situações em que a empresa está mais exposta: relacionamento com órgãos públicos, compras, metas comerciais agressivas, dados de clientes, trabalho em turnos.
- Ouça a equipe. Conversas rápidas com colaboradores de diferentes áreas mostram as dúvidas reais e os pontos de atrito que o código precisa resolver.
- Escreva em linguagem simples. Prefira frases curtas, exemplos práticos e perguntas do tipo “o que fazer quando…”. Um código de 10 a 20 páginas costuma ser suficiente para uma PME.
- Indique o canal oficial. O código deve dizer onde tirar dúvidas e como relatar uma situação, com garantia de sigilo e de não retaliação.
- Aprove e registre a versão. Os sócios aprovam o texto, que recebe número de versão e data de vigência.
- Divulgue e treine. Apresente o código a todos, registre a ciência de cada colaborador e inclua o tema no treinamento de integração.
O código de conduta só sai do papel quando as pessoas sabem onde levar uma dúvida ou um relato.
Como divulgar e manter o código vivo
Publicar o PDF na intranet não basta. O código precisa aparecer no treinamento de integração de novos colaboradores, ser retomado em treinamentos periódicos e estar acessível no site da empresa, junto com o link do canal de integridade.
Também é importante acompanhar os sinais que chegam pelo canal. Dúvidas repetidas sobre o mesmo tema mostram que uma regra está pouco clara, e relatos recorrentes indicam onde o código precisa ser reforçado. Esse acompanhamento alimenta a revisão anual do documento.
Atenção: quando a empresa atualizar o código, a nova versão precisa ser divulgada de novo, com registro de ciência dos colaboradores. Guardar esses registros é o que comprova que o programa está ativo.
Erros comuns ao criar um código de conduta
- Copiar o código de outra empresa sem adaptar à realidade do negócio
- Escrever em linguagem jurídica, difícil de entender para quem está no chão de fábrica ou no atendimento
- Criar regras que a própria liderança não cumpre
- Não indicar um canal para dúvidas e relatos, ou indicar um e-mail que identifica quem escreve
- Divulgar uma única vez e nunca mais falar do assunto
- Não registrar a ciência e o treinamento dos colaboradores
Perguntas frequentes
O que é um código de conduta?
Código de conduta é o documento que reúne, em linguagem direta, as regras de comportamento esperadas de todas as pessoas que trabalham em uma empresa ou se relacionam com ela, como sócios, gestores, colaboradores, estagiários, terceiros e fornecedores. Ele traduz os valores da organização em orientações práticas sobre situações do dia a dia, como o tratamento entre colegas, o uso de recursos da empresa, o relacionamento com clientes e com o poder público, o recebimento de brindes, os conflitos de interesse e a proteção de informações e de dados pessoais. Diferentemente de um regulamento interno, que costuma tratar de horários, uniformes e rotinas, o código de conduta trata de ética e integridade, e por isso é considerado a base de qualquer programa de compliance. Um bom código também indica o que fazer diante de uma dúvida ou de uma situação irregular, apontando o canal oficial para relatos e as garantias de quem utiliza esse canal, como o sigilo e a proteção contra retaliação. O papel do canal nesse conjunto está explicado na página do canal de integridade.
Quais são exemplos de regras de um código de conduta?
As regras de um código de conduta variam conforme o setor, o porte e os riscos de cada empresa, mas alguns temas aparecem em quase todos os documentos. No relacionamento interno, é comum encontrar regras sobre respeito, proibição de discriminação, de assédio moral e sexual e de qualquer forma de violência, além de orientações sobre comunicação entre equipes e lideranças. No relacionamento externo, os códigos costumam tratar da proibição de oferecer ou receber vantagens indevidas, dos limites para brindes, presentes e hospitalidades, do relacionamento com agentes públicos e das regras para escolher e acompanhar fornecedores. Também são frequentes regras sobre conflitos de interesse, como a contratação de parentes ou a participação em empresas concorrentes, sobre o uso de equipamentos, redes sociais e informações confidenciais, sobre a proteção de dados pessoais e sobre saúde e segurança no trabalho. Por fim, os códigos trazem as regras do próprio programa: como tirar dúvidas, como relatar uma situação, a política de não retaliação e as consequências do descumprimento. A forma de levar essas regras à equipe está descrita em treinamento de compliance para equipe.
Para que serve o código de conduta em uma empresa?
O código de conduta serve para deixar claro, para todas as pessoas que trabalham na empresa ou se relacionam com ela, quais comportamentos são esperados e quais não são aceitos, reduzindo a margem para interpretações individuais. Na prática, ele cumpre quatro funções. A primeira é orientar decisões do dia a dia, como aceitar um presente de fornecedor ou lidar com um conflito de interesse. A segunda é prevenir problemas, porque regras conhecidas diminuem a chance de condutas inadequadas e ajudam a liderança a agir de forma consistente. A terceira é proteger a empresa, já que o código, quando divulgado e acompanhado de treinamento e de registros, serve como evidência de que a organização adotou medidas de prevenção, o que pesa em fiscalizações, auditorias, processos trabalhistas e avaliações de clientes. A quarta é sustentar o programa de integridade, funcionando como referência para os treinamentos, para o tratamento dos relatos e para as medidas disciplinares. Sem um canal para dúvidas e relatos, porém, o código tende a ficar apenas no papel. A relação entre o código e o tratamento dos relatos está em como funciona.
Existe modelo de código de conduta para empresa pequena?
Existem diversos modelos de código de conduta disponíveis na internet, inclusive versões simplificadas para pequenas empresas, e eles podem ser úteis como ponto de partida para organizar os temas e a estrutura do documento. O cuidado está em não copiar o texto sem adaptação. Um código copiado costuma trazer regras que não se aplicam à realidade da empresa, como políticas para áreas que ela não tem, e deixa de fora os riscos específicos do negócio, como o relacionamento com órgãos públicos em uma empresa que participa de licitações ou o manuseio de dados de saúde em uma clínica. Além disso, colaboradores percebem quando o documento não conversa com o dia a dia, o que reduz a adesão. Para uma pequena empresa, o caminho mais seguro é usar o modelo como roteiro, revisar cada regra com os sócios, incluir exemplos práticos do próprio negócio e manter o texto curto, com linguagem simples. Também é importante indicar no código o canal oficial para dúvidas e relatos. Os passos de implantação do canal estão em como funciona.
O código de conduta é obrigatório?
Não existe uma lei que obrigue todas as empresas brasileiras a ter um código de conduta, mas algumas normas tornam o documento necessário em situações específicas. A Lei 14.457/2022 determina que empresas obrigadas a constituir CIPA incluam, nas suas normas internas, regras de conduta sobre assédio sexual e outras formas de violência, com ampla divulgação aos empregados. O Decreto 11.129/2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção, lista os padrões de conduta e o código de ética entre os parâmetros usados para avaliar programas de integridade, o que influencia a dosimetria de sanções e é exigido de empresas que firmam contratos de grande vulto com a administração pública, nos termos da Lei 14.133/2021. Além das normas, há a pressão de mercado: grandes clientes, redes varejistas, indústrias e instituições financeiras costumam pedir o código de conduta em questionários de due diligence e cadastro de fornecedores. Para a gestão de riscos psicossociais exigida pela NR-1, o código também ajuda a demonstrar medidas de prevenção. A relação entre esses temas está em adequação à NR-1.
De quanto em quanto tempo o código de conduta deve ser revisado?
Não há um prazo fixado em lei para a revisão do código de conduta, mas a prática mais comum é revisá-lo pelo menos uma vez por ano e sempre que houver uma mudança relevante. Entre os gatilhos para uma revisão fora do calendário estão a entrada em vigor de novas normas, como as atualizações da NR-1 e da LGPD, mudanças no negócio, como a abertura de uma filial, a entrada em um novo mercado ou a participação em licitações, e situações recorrentes identificadas pelo canal de relatos ou pelas dúvidas da equipe, que mostram pontos do código pouco claros ou ausentes. A revisão deve envolver a liderança e, se possível, representantes de diferentes áreas, e precisa ser registrada, com a data da versão vigente e o resumo das alterações. Depois de aprovada, a nova versão deve ser divulgada novamente e acompanhada de um treinamento rápido sobre o que mudou, com registro de ciência dos colaboradores. Guardar esses registros ajuda a comprovar que o programa é mantido ativo. O registro de treinamentos com certificado está descrito em treinamento de compliance para equipe.